FGV revela quem passa no Exame da OAB

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Recentemente, a Fundação Getulio Vargas, em seu núcleo de concursos, revelou dados importantes para muitas pessoas. Trata-se de alguns dados relativos a faculdades, matrículas, inscrições no Exame de Ordem, bem como as reprovações em tal certame.

Esse relatório é como um manual de instruções, ou uma radiografia feita do II ao XIII Exame Nacional de Ordem. Serve como base tanto para Professores e acadêmicos de cursos de direito, quanto a professores de cursos preparatórios e candidatos que prestam o Exame de Ordem.

Quem trabalha com estatística sabe que os dados apresentados em alguns tópicos são insuficientes para desenvolvermos conclusões definitivas. De qualquer maneira, temos revelado importantes indicativos para que possamos desenhar melhor ainda nossos caminhos no “preparar” para o Exame de Ordem.

Vamos a alguns dados.

1. A média de aprovação continua média no Exame de Ordem

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17,5% – este é o numero médio de aprovados nos últimos onze exames. O pior cenário que tivemos foi no IX Exame (apenas 11,4% de aprovados) e o melhor foi no certame seguinte, X Exame, com 28,1% de aprovados.

O índice de aprovação dos candidatos revela-se menor, mas não tanto quanto os dos exames anteriores, organizados pelo CESPE/UNB. Mas esse índice pode nos levar a alguns problemas a serem detectados, são eles:

  1. inflacionamento do número de advogados. Em 2004, tínhamos cerca de 415 mil advogados no Brasil; hoje, 2015, temos mais de 850 mil;
  2. inflacionamento dos cursos de Direito. O Brasil tem mais de 1100 faculdade de Direito, enquanto o mundo tem menos de 1100, ou seja, temos mais faculdades de Direito no Brasil que o mundo todo;
  3. o Exame ficou mais difícil;
  4. a qualidade do preparo dos alunos, com grande quantidades de materiais e videoaulas de valor duvidoso e sem qualquer metodologia.

Os dois últimos motivos são os que mais me preocupam e com o qual podemos contribuir com os estudos dos alunos. De fato, a inserção de novas matérias e a redução do número de testes reduz a possibilidade de expansão temática em determinadas matérias tidas como essenciais. Penso que, com relação a esse tema, a OAB deveria ampliar a quantidade de questões para 100 testes novamente, elaborar questões mais curtas e apresentar no edital do Exame o temário das matérias que não são exigidas na segunda fase, como Direitos Humanos e Filosofia do Direito.

Com relação ao último motivo, penso que não adianta acumular no computador um amontoado de material para não estudá-lo ou não lê-lo. É preciso ter um direcionamento de estudo, como o que fazemos no Curso Forum onde leciono e coordeno a OAB. A propósito, publiquei recentemente um texto sobre esse tema de estudos (leia também).

2. O vilão da segunda fase pode ser não saber escolher

Essa é a tabela dos candidatos aprovados na segunda fase por sua área de escolha.

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Ouço alguns folclores nos corredores de faculdades e cursinhos que basicamente profetizam o seguinte:

A melhor área para se prestar na segunda fase é Penal ou Trabalho, isso porque são matérias do dia a dia, vemos situações de violência reportadas cotidianamente, bem como estabelecemos relações laborais constantemente. Isso gera uma falsa aderência natural para o candidato que escolhe essas matérias.

Dos folclores negativos, embora também envolvam relações cotidianas, temos o Direito Civil como líder. Quando alguém diz que irá prestar Civil na segunda fase:

Você é louco? Civil? Você tem ideia de quantas peças existem em civil?

Parece-nos que essa tabela sugere outra realidade, ao menos que prestar Trabalho ou Penal deve ser a opção daqueles que têm aderência natural à matéria. Inscrever-se nessas matérias sem qualquer aderência ou por uma visão parcial do que é a prova pode ser um erro. Mas não podemos perder o foco de que essas são as duas matérias mais procuradas, muitas vezes por candidatos indecisos ou que não tiveram um preparo adequado ao longo de sua graduação, inclusive.

Já em Direito Civil, que é líder de crítica é vice-líder de aprovação, não resta dúvida de que os candidatos que prestam essa disciplina têm aderência muito grande ao tema, haja vista o processo de desencorajamento realizado.

É preciso notar que aquelas matérias vistas como “novas” (Empresarial, Administrativo e Constitucional) vêm tendo um bom desempenho nos últimos exames, embora Empresarial, que teve um índice de quase 33% de aprovados no VI Exame, tenha obtido, no XIII certame, um índice baixíssimo, apenas 1,8%, o que também mostra uma sazonalidade na reprovação.

Contudo, essa tabela é encorajadora em Constitucional, que está não apenas no topo das normas, mas também no topo das aprovações: lidera praticamente todos os Exames, chegando a incríveis 41% no VII Exame. Um dado curioso é que Constitucional é uma das matérias menos procuradas para a segunda fase, segundo a própria OAB.

Não quero ser simplista dizendo que a melhor área para prestar na segunda fase é Direito Constitucional; quero que o aluno escolha sua área não pela simpatia a um professor, ou a um folclore, mas sim por sua aderência à matéria quando da sua escolha.

Como disse na abertura deste breve texto, temos aqui uma radiografia do Exame de Ordem. Para termos conclusões definitivas, provavelmente precisaríamos de uma tomografia computadorizada. Mas enquanto não temos toda essa tecnologia por parte da OAB, seguimos diagnosticando com os exames que nos são dados.

Para visualizar o relatório completo clique aqui.

Bons estudos.


Veja também:

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13 respostas para “FGV revela quem passa no Exame da OAB”

  1. Weylla Soares disse:

    Terminei o segundo período agora e estou me identificando muito com Constitucional e Penal. Espero que a longa caminhada que me espera traga-me mais confiança para conseguir passar na OAB. Ótimo texto!

  2. Cláudio disse:

    Eu já fiz 3 vzs, me preparei em casa, acertei 30 a 35 questões das 80 e não fiz mais.

  3. André disse:

    Não sei…. me preparei desde o início do curso. O exame da ordem não é este monstro!Ainda não terminei a graduação e passei de primeira!Sem cursinho!Minha universidade não está entre as melhores do país, nem por isto me senti prejudicado.Não estou desmerecendo, mas já fiz concursos públicos com provas infinitamente mais difíceis.

  4. Raphael disse:

    Para primeira fase é tranquilo estudar em casa, por conta própria. A técnica que desenvolvi e funcionou sempre foi de fazer simulados e focar em estudar aquelas matérias que ia me saindo pior nos simulados, resultado da última primeira fase que prestei: 52 em 80, que pela dificuldade da prova é mais que satisfatório.

    Quanto a segunda fase, o que a banca de empresarial vem fazendo é nítido no gráfico apresentado. Não é uma questão de ser nova a matéria. Não é uma matéria fácil, quem opta por prestar o exame nesta matéria, assim como faço, não é por achar que a matéria é mais fácil, é por se identificar com a matéria e ter facilidade para estudar, por gostar dessa matéria que, de fato, não é comum.
    O que está acontecendo fica claramente visível. A banca de empresarial no exame quer reprovar. Não adianta você saber e ter controle da disciplina, seja pelo tamanho da prova, pela complexidade das questões ou pela cobrança de um item que contraria o edital como ocorreu na última prova, a banca de empresarial está se empenhando mais na ordem de fazer uma prova para reprovar,

  5. Fernanda Ferreira Fernandes disse:

    A 1ª fase passei 4x só resolvendo questões em um site: qconcursos.com e uma vez por semana resolvia uma prova anterior da OAB e corrigia meus erros por meio de sites que comentam as provas. Não fiz cursinho.
    Já a 2ª fase fiz cursinhos ruins para Tributário, foram 3 provas que não passei.
    Resolvi mudar de área, Administrativo, e fiquei 1 ano lendo doutrinas e prestando concursos.
    Assim que fiz o concurso do TRF-3 e MPU, que tbm só estudei resolvendo questões e provas anteriores (dica infalível do Prof Pedro Lenza), prestei a OAB em Administrativo, me preparei basicamente sozinha, 42 dias só escrevendo e resolvendo as 22 peças e todas as provas anteriores, e a noite lendo as leis. Fiz um cursinho básico, IEDI, prof Wander Garcia, e resolvi 4 simulados.

    No final passei na OAB, TRF-3ª região e MPU com as bençãos de Deus.
    Não fui nomeada em nenhum e hj estudo para o INSS

  6. Sabrina disse:

    Concordo 100% com o Raphael, há que se observar também os “defeitos” da banca examinadora, o problema não é só de quem escolhe. Quem vai em Empresarial vai mesmo porque gosta. Só que fica difícil até para quem estudou mais e melhor quando uma banca resolve lhe tirar pontos até por itens que não constam no espelho de correção, olhem o que ocorreu no XIV, todos os professores do Brasil viram o absurdo. A banca parece mesmo querer reprovar, então qualquer vírgula vira argumento.

  7. Gente, eu também migrei de Empresarial para Constitucional. O tal de Assumpção deve ser um recalcado de marca maior. Um babaca desnudo e divorciado da vida quotidiana, da realidade. Acha que somos bestas!

  8. André Coneglian Weyand disse:

    Pessoal, não sou da área e atuo em outro segmento profissional. Acredito que o exame da ordem com a FGV deveria melhorar a qualidade das questões e focar explicitamente no conteudo do edital. Na segunda fase não concordo com a metodologia aplicada, não existe segurança nenhuma neste tipo de prova e muito menos a correção, que a meu ver, totalmente equivoca. O aluno não tem claramente o feedback do que errou e observei em muitas provas que a resposta estava correta e o examinador muitas vezes não tem preparo didático nehum, corrigiu como nota ZERO. Isso é um absurdo, e como mencionei virou um comércio, afinal deveriam publicar o quanto arrecadam por concurso. Outro fator, é que o problema, não é focar na prova e transformá-la em pesadelo intransponível, acredito que o exame esteja mais dificil que para a magistratura e a culpa é 100% do MEC que deveria exigir um nível de ensino eficiente nas faculdades e universidades que detém o curso de Direito, passando a controlar e fechar aquelas que não possuem estrutura mínima para oferecer um curso adequado aos alunos que na maioria das vezes, pagam por este serviço. A segunda fase da OAB é piada e vocês deveriam se mobilizar para mudá-la junto aos orgãos competentes, não existe transparência neste modelo de avaliação.

  9. Marina disse:

    Vou prestar nesse domingo, 17/01/2016, a primeira vez a 2ª fase para Civil. Estou muito insegura, fiz cursinho, mas mesmo assim sinto que falta muito conteúdo para saber. OAB virou comércio, com arrecadação de milhões por prova, não são transparentes as correções feitas e por erros mínimos, reprovam. Como se hoje em dia, os escritórios de advocacia ainda fizessem as petições a mão!!! Tudo com modelos prontos, só trocam o nome da ação e das partes… Triste passar por isso.

  10. sylvia jacqueline disse:

    O Brasil não é um país sério! Só posso pensar nisto, quando leio essas coisas aqui, sobre o referido exame, e ninguém tem poder pra fazer nada!
    Fico triste em saber que tem muita gente frustrada com o curso que escolheu.
    O Governo abre as portas da faculdade e esta instituição fecha as portas para as pessoas que dependem desta carteira.

  11. jesuel disse:

    prestei o exame XVIII mas acho que nao fui bem, ainda assim acereti a peça e duas questões e meia, porem errei o endereçamento e esqueci de pedir liminar no MS.

  12. luciene disse:

    ta sendo essencial as estrategicas deste curso so que nao consigo accessar o conteudo juridico e ja que vou iniciar isso amanha o tempo para esse exame e curto
    como consigo baixar e salvar os 491 mapas? e tambem ja fiz os 6 exames anteriores e passaria em 5 deles acho que fazer em casa faz toda diferenca o que nao sei agora como e quais exames vou fazer ja que devem ser recentes e ja fiz os 6 ultimos e onde vou fazer os simulados , tenho uma escala de plantao trabalho um dia e outro estou em casa o dia e noite inteira 12 por 36 o que dificulta fazer o cronograma

  13. Hilda Vasconcelos disse:

    Excelente texto, cada vez está mais difícil passar no exame da ordem, o jeito é se preparar, essa semana li um artigo falando exatamente sobre isso https://goo.gl/P0TYCJ

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