Professora é afastada após alunos cantarem funk sobre Marx

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marx funk

Uma aula de sociologia em Curitiba, sintetizou boa parte da recente polêmica nacional a: “Escola sem partido”. Isso porque a professora da disciplina, Gabriela Viola, e os seus alunos gravaram um vídeo sobre o pensamento marxista parodiando o funk “Baile de Favela”. Após, o vídeo fazer sucesso no youtube, Gabriela foi afastada pela direção da escola.

O que a escola esperava da professora Gabriela? O que os defensores da “Escola sem Partido” querem? Professores neutros? Não existe amigo neutro, não existe família neutra, nem mesmo igreja neutra. Nada é neutro! Como vamos pedir um professor neutro?

Eis os versos: “Os burgueses não moram na favela/ Estão nas empresas explorando a galera/ E os proletários, o salário é uma miséria/ Essa é a mais-valia, vamos acabar com ela”. Quem quiser assistir o vídeo é só pesquisar no youtube “Marx é baile de favela”.

A professora explicou que a paródia fazia parte do seu plano de ensino, do qual fazem partes teóricos de pensamentos diferentes ao de Marx: Émile Durkheim, Max Weber, Erving Goffma.

Confesso que tem me assustado alguns rumos que o país tem tomado recentemente. Afinal, ver o surgimento – e aceitação – de ideias de que professores devem dar aula de “maneira neutra”, que os alunos estão sendo “doutrinados” e que falar sobre o pensamento de autores X é errado, mostra que as coisas estão saindo de controle.

Vamos parar e pensar com calma. Qual o real problema dos versos da paródia cantada pelos alunos dessa escola no Paraná? Provavelmente, alguns alegam que a professora está doutrinando os seus alunos, talvez querendo transformá-los em “pequenos guerrilheiros”?

Como Marx seria ensinado na escola sem partido? Ou ele se quer seria ensinado? Como os professores explicariam para os seus alunos o surgimento da URSS? Todo o período da Guerra Fria? As diversas revoluções que ocorrem baseadas nos ideias marxistas?

Por ter formação em Filosofia, sinto me obrigado a repetir – o que muitos já disseram – não é possível existir uma aula ou qualquer tipo de discurso sem ideologia. Todo pensamento e opinião que expressamos é influenciado por uma ideologia. Vale frisar: ideologia não é uma versão falsa do mundo, um mentira, ideologia é a forma como enxergamos o mundo, não um jeito neutro ou puro de enxergá-lo.

O problema não é a professora ensinar Marx. O problema – e não parece ser esse o caso no Paraná – seria dizer que o único pensamento que importa é o marxista.

O que a escola precisa e, não só ela, como a nossa sociedade, é fomentar a prática do debate, da discussão, de troca ideias. Excluir Marx da sala de aula,  ou qualquer outro pensador, enfraquece a nossa capacidade de fazer isso, fazendo até que com que muitos acreditem que é possível dar aula de forma neutra.


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