Didática defasada pode tornar novo ensino médio um desastre

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tired student girl with glasses sleeping on books in library

A medida provisória que reforma o ensino médio tem pontos positivos: a perspectiva de tempo integral nas escolas e a flexibilização do currículo, que parte de uma base comum e permite ao estudante construir a sua trilha de aprendizagem. Mas a forma um tanto desastrada como as mudanças vêm sendo comunicadas passa a impressão de um ensaio apressado, que não chega ao cerne dos problemas e, por isso, passa ao largo das soluções.

A primeira bola fora foi afirmar, na redação inicial, que as disciplinas Educação Física, Artes, Sociologia e Filosofia passariam a ser optativas. A proposta foi rapidamente corrigida, mas a má impressão ficou, até pelo fato dessa hipótese ter sido colocada em pauta.

Agora, o MEC acaba de informar que Artes e Educação Física estarão presentes em “metade” do ensino médio. Devemos supor que, embora o primeiro ano seja comum a todos, os estudantes que escolherem a área de matemática ou o ensino técnico, por exemplo, não precisarão necessariamente fazer esportes nem aprender música? Nada mais distante da educação de hoje, que busca formar mentes sensíveis, corpos saudáveis e corações informados.

Não se tratou, até o momento, de uma questão fundamental: a necessidade de revisão da didática utilizada nas escolas. Tão importante quanto o que aprender, é o modo como se aprende. Hoje temos um ensino tradicional e obsoleto, incapaz de motivar o jovem do século XXI, enquanto em outros países já estão implantadas as metodologias ativas, com experiências de sala de aula invertida, aprendizagem entre pares e tecnologias digitais. Ampliar o tempo de aula para fazer tudo do mesmo modo pode tornar o ensino médio ainda mais entediante.


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