EaD não é remendo (mas pode ser impulso para o ensino médio)

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Bastaram algumas horas para que o MEC voltasse atrás, ao perceber o engano que cometera ao autorizar a educação a distância para o ensino fundamental (regulamentação do artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional). Ao falar de EAD autorizada em “situações emergenciais”, o texto abria possibilidades arriscadas.

Que situações se prestariam à introdução da EAD: falta de professores, escolas sem infraestrutura, paralisações docentes, colégios situados em áreas de risco, baixos indicadores no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Brasileira)? Problemas não faltam, mas a educação a distância não é remendo.

O MEC percebeu que seria precipitado autorizar a EAD no ensino fundamental no cenário educacional de hoje e anunciou para esta semana uma correção do decreto. De fato, a educação a distância supõe determinados requisitos: estudantes com certa autonomia e autodisciplina, acompanhamento de tutores, materiais didáticos interativos e de qualidade, um novo perfil de professor. É todo um conjunto de que, pelo momento, não dispomos neste segmento da educação básica, ainda mais para uma implementação em massa.

Por outro lado, vale registrar que esse passo em falso do MEC pode encontrar uma estrada promissora no ensino médio, maior gargalo da nossa educação. Conteúdos distantes da realidade do aluno, professores sem a formação necessária, alta rotatividade docente, classes superlotadas e turmas muito heterogêneas são alguns dos impasses que levaram a uma educação estagnada, avaliada há anos abaixo da média, em exames nacionais e internacionais.

No ensino médio do jeito que está, o aluno não só não aprende, como também acaba abandonando os estudos: é o caso de 1 milhão e 600 mil jovens entre 15 e 17 anos que estão fora da escola. É aí que começa a se formar a geração nem-nem, os que nem estudam, nem trabalham, que atualmente são 20% dos brasileiros entre 18 e 25 anos.

A reforma do ensino médio, sancionada há três meses, pretende rever o currículo e flexibilizar as trajetórias escolares, permitindo inclusive a opção pela formação profissional – uma alternativa interessante para quem busca acesso mais rápido ao mercado de trabalho. Porém, não se pode mudar o ensino médio sem atualizar as modalidades de ensino.

Há diversas mudanças a fazer. Por exemplo: processos híbridos (parte do ensino presencial, parte a distância); a metodologia da “sala de aula invertida”, em que o aluno assiste videoaulas antes do encontro com o professor e aproveita melhor a sua orientação; o acompanhamento personalizado do estudante, por meio de tecnologias e ambientes virtuais de aprendizagem. A regulamentação da EaD no ensino médio pode representar um impulso importante para que essas inovações didáticas finalmente cheguem às escolas.

Fonte: G1


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