Você estudaria em uma escola que separa meninos e meninas?

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Estudei parte da formação básica no Colégio Sion. A instituição, que no passado aceitava apenas meninas, na minha época já era misto. Ainda assim, na turma ainda havia poucos meninos. Tínhamos uma convivência saudável e divertida. Com o passar dos anos, o colégio superou a imagem de ser “só para moças” e as turmas ficaram cada vez mais heterogêneas, acompanhando o movimento educacional de estimular o convívio com as diferenças.

Na contramão dessa linha, nos últimos anos a tendência de separar turmas por gênero vem ganhando força. Existem experiências em diversos países: EUA, Israel, Alemanha, Espanha, para citar alguns. A discussão chegou ao Brasil, acompanhada de casos concretos – como por exemplo o Colégio Porto Real, na Barra da Tijuca, que adota essa prática pedagógica.

À primeira vista, o modelo parece anacrônico. Quem o defende, entretanto, tem seus argumentos, sobretudo com base na diferença cognitiva de meninos e meninas, nas diversas etapas do desenvolvimento. Há pesquisadores que garantem que os garotos têm mais aptidão para a matemática e ciências, enquanto que garotas se saem melhor em leitura e linguagens.

No desempenho no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), de fato, as notas de uns e outros parecem confirmar isso. Assim, embora ao longo da vida escolar estas competências fiquem equiparadas, separar os gêneros permitiria trabalhar melhor as potencialidades de cada um e atender o estudante de forma mais personalizada.

Esses estudos, no entanto, não parecem suficientes para justificar uma separação por gênero no processo de ensino. Inclusive vale considerar que a diferença de desempenho pode ter influência de fatores culturais, ligados ao que nossa sociedade entende como papeis próprios do masculino e do feminino e aos estereótipos que incidem na educação familiar. Nesse sentido, cabe questionar até que ponto o movimento da educação “single sex” poderia ser reflexo do crescimento do conservadorismo e da intolerância pelo mundo.

Ainda que houvesse vantagens pelo lado da educação personalizada e dos aspectos cognitivos, a perda parece maior do que o ganho. Convivendo juntos, numa educação bem orientada, meninos e meninas aprendem na prática a lidar com diferenças, negociar pontos de vista, gerenciar emoções, conviver e se respeitar. No mercado de trabalho, como profissionais, exercerão papeis diversos, muitas vezes sendo líderes uns dos outros ou colegas de equipe. É positivo que comecem a praticar estas experiências desde cedo, mediadas por educadores.

De todos modos, no que se refere a modelos escolares, em princípio não há algo que funcione para todo e qualquer jovem. Por isso é tão importante que a família tenha clareza sobre a sua visão de educação, conheça a fundo a proposta pedagógica da escola e entenda se a instituição é adequada para as necessidades específicas do estudante. Só assim se pode decidir, com mais segurança, quem é o parceiro ideal para a educação dos seus filhos.

Fonte: G1


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