Hierarquia nas transações durante a interação pessoal

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Resumo: três comportamentos básicos (adulto, criança e pai) determinam a dinâmica das comunicações entre as pessoas. No conflito, os comportamentos perdem a funcionalidade.

Na situação de conflito, evidenciam-se os três comportamentos básicos do clássico modelo de “análise transacional” (ver nota ao final) do psiquiatra Eric Berne (Canadá, 1910 – EUA, 1970):

• o adulto;

O indivíduo que apresenta esse comportamento mostra-se capaz de analisar os acontecimentos, aplicar os conhecimentos e técnicas acumuladas com a experiência, avaliar riscos, empregar a “racionalidade”. Mostra-se aberto à argumentação, aceita feedback, consegue valorizar ganhos futuros confiáveis em relação a benefícios presentes possivelmente não duradouros. Essa pessoa apresenta maior domínio de suas emoções, ainda que as experimente plenamente.

• a criança;

A pessoa que se comporta como criança mostra-se egocêntrica, exigente, vulnerável, dependente, mal humorada, envergonhada, espontânea, desinibida, interessada, curiosa, afetuosa.

Obviamente, dada essa maior labilidade emocional, enfrenta maior dificuldade para avaliar os fatos, analisar as propostas e os efeitos futuros das possíveis alternativas de solução para o conflito. Foca o presente, a situação imediata.

• o pai.

É o indivíduo agregador de valores, crenças, atitudes, critérios de “certo” ou “errado”, “correto” ou “incorreto” etc. Defende princípios que tem consolidados, mesmo com o risco de não se aplicarem à situação presente ou futura.

Os comportamentos indicam o estado que prevalece nas relações interpessoais.

Quando a transação, isto é, a troca de informações, se processa entre diferentes níveis, pode ocorrer interrupção ou distorção na comunicação.

Se o emissor transmite informações como “adulto”, e o receptor as recebe como “criança”, surge conflito porque as perspectivas e expectativas são diferentes. Por exemplo, o progenitor (adulto) inicia uma conversa para discutir a respeito das férias: onde ir, quanto gastar etc.; se a mãe (ou um filho) estabelece (criança) que “só vai se for à praia”, a semente do conflito começa a germinar.

Quando prevalece o comportamento de pai, o mediando tende a rejeitar opções que transferem responsabilidades para o outro, tirando-as de suas mãos protetoras. De modo complementar, o comportamento de criança evidencia-se pelo apego a soluções que tragam proteção e isenção de responsabilidades.

Na gestão de conflitos pela mediação desejam-se transações adulto-adulto; contudo, há momentos em que convém que sejam de outro nível; por exemplo, no exercício de “brainstorming”, para prevalecer a criatividade típica da relação criança-criança.

Observa-se que o estado emocional dos participantes faz com que, dependendo do assunto que se encontra à mesa, os mediandos modifiquem seus comportamentos: ora comportam-se como adultos, ora como criança, ora paternalmente. A comunicação será tanto mais prejudicada, quanto mais arraigada for a posição do mediando em um único desses comportamentos.

Mesmo sem aplicar rigorosamente o modelo da análise transacional, é útil para os profissionais que se dedicam à gestão de conflitos entre pessoas, observar:

• as transações cruzadas, que conduzem a situações de dependência ou dominação de um mediando em relação ao outro;

• as transações pai-pai, capazes de levar a um impasse porque ninguém recua;

• as transações criança-criança, porque ambos comportam-se de forma egocêntrica e emocional.


*Nota do autor 1: Leitura complementar para o item 3.5 – Comunicação, em Mediação e Solução de Conflitos – teoria e prática, de Fiorelli, Fiorelli & Malhadas.

*Nota do autor 2: Análise Transacional (AT) é uma teoria da personalidade criada pelo Dr. Eric Berne no final da década de 50. De acordo com a definição da International Transactional Analysis Association (ITAA) ‘A Análise Transacional é uma teoria da personalidade e uma psicoterapia sistemática para o crescimento e a mudança pessoal’. É também uma filosofia de vida, uma teoria da Psicologia individual e social. Possui um conjunto de técnicas de mudança positiva que possibilita uma tomada de posição quanto ao ser humano. Fonte: José Silveira Passos, no Portal BrAT em outubro/2017.


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