Quantas mortes serão necessárias para que se leve o bullying a sério?

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bullying 

Os tiros disparados por um adolescente numa escola de Goiás contra outros adolescentes, matando dois colegas e ferindo outros, estão relacionados ao bullying que ele sofria. Quantas outras mortes serão necessárias para que este assunto seja levado a sério pelos pais, pelas escolas e pelos próprios estudantes?

O bullying já mostrou ser um problema grave. Pode causar depressão, até mesmo suicídio. Pode deixar sequelas para toda a vida. E quando pessoas que sofrem essas agressões continuadas já padecem de algum distúrbio psicológico, a reação é imprevisível e, não raro, acaba em tragédia.

“O bullying só existe porque há uma plateia.”

 

Nem sempre é fácil descobrir se a criança sofre ou pratica bullying, mas tudo é mais simples quando os pais constroem uma relação de confiança e diálogo aberto, com sensibilidade para acolher o filho, sem minimizar a importância de seus problemas, atentos a suas aflições.

Estar mais próximo da escola, conhecer a família dos colegas, frequentar as redes sociais e conversar com os filhos sobre o seu dia são algumas das formas de descobrir se a criança é vítima de hostilidades ou se pratica violência contra alguém. Em ambos os casos, procurar a escola é fundamental. Eventualmente, vale também a ajuda de especialistas. Jamais se deve, em casa, reforçar o comportamento de sofrer calado porque “todo mundo passa por isso”, nem mostrar orgulho porque o filho é “o valentão da escola” e todos o temem.

A escola não pode se omitir. Projetos que promovam a empatia, com o estudante se colocando no lugar do outro, ajudam a prevenir o bullying. Nas turmas de adolescentes, em que os professores ficam pouco tempo com os estudantes, é preciso que ainda assim fiquem atentos para detectar situações de desrespeito. Há que envolver as famílias imediatamente. Tanto as vítimas como os agressores inspiram cuidados – afinal, não é normal se divertir humilhando os outros.

Também vale um alerta para os estudantes. O bullying só existe porque há uma plateia. Em torno daquele que agride e daquele que é atacado, costuma haver uma turminha que ri e aplaude. Sem esse sucesso, os agressores costumam desistir. Quando houver alguém sofrendo atos de crueldade, cabe a denúncia. Isso vale para toda a vida, e começa no ambiente escolar, onde as crianças esperam aprender, fazer amigos e se divertir.

Fonte: G1


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