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José Osmir Fiorelli

José Osmir Fiorelli

07/11/2017

O caráter emocional que cerca a sessão de mediação recomenda atenção redobrada a detalhes aparentemente secundários do escritório.

Há de se reconhecer que inúmeros escritórios (“Câmaras de Mediação”) são estabelecidos sem o suporte financeiro que propiciaria o atendimento pleno destas recomendações e sugestões. Isso não lhes tira o mérito – em vez disso, enaltece o empenho dos profissionais que, mesmo em condições distantes das desejáveis, esmeram-se na obtenção de bons resultados. São os “heróis anônimos” da missão de apaziguar.

Se cuidado com esses detalhes não assegura, efetivamente, o sucesso das mediações, seguramente contribui para ele. No mínimo, facilita a condução das sessões, ao proporcionar maior conforto físico e psíquico aos participantes e, em particular, aos mediadores – que ali permanecem por longos períodos.

Seguem-se alguns selecionados por seu maior significado, sem a intenção de esgotar as recomendações.

A mediação lida com pessoas em conflito; por isso, a escolha de cores e tons deve considerar seus efeitos sobre as emoções.

Cores neutras convidam à paz e à reflexão; paredes, pisos e tetos devem combinar-se para produzir atmosfera apaziguadora.

As cores produzem melhores efeitos se utilizados materiais adequados: paredes lisas trazem maior conforto do que as rústicas, por exemplo.

Os profissionais do ramo conhecem inúmeras maneiras de obter efeitos apaziguadores; tão ou mais importante do que escolher as cores ideais, é evitar as provocadoras de ansiedade ou que acentuam o sofrimento.

Paredes com vermelho vivo, por exemplo, são proibitivas; tonalidades fortes de laranja, amarelo, violeta acentuam os estados de ansiedade.

Móveis, paredes e quadros devem harmonizar-se com esse tipo de cuidado.

Paredes sem quadros são áridas. Transmitem a idéia de vazio.

Os quadros “vestem” as paredes; bem escolhidos, valorizam o ambiente; mal escolhidos, ocasionam efeito oposto. Devem sugerir temas neutros e traduzir ambientes de paz, conforto, segurança.

Não se trata, aqui, de “obras de arte”. A simplicidade de um quadro não invalida seu efeito.

As tão conhecidas cenas de campo (colheitas, pastoreio, bosques) são preferíveis, naturalmente, às de naufrágios; batalhas campais não contribuem em nada para acalmar os ânimos e assim por diante.

Também se recomenda que  os quadros e outros objetos de decoração não simbolizem qualquer ideologia política, religiosa ou de outra natureza; os mediandos poderão interpretá-los como uma indicação de tendência ideológica ou filosófica que desequilibrará a negociação.

Se esse cuidado deve estar presente em mediações familiares, deve mostrar-se ainda mais intenso em questões ambientais, societárias, trabalhistas e outras em que os conteúdos ideológicos encontram-se, tradicionalmente, permeando as questões.

Penumbra pode entristecer ou deprimir o indivíduo com propensão à depressão; luz em excesso excita, provoca agitação e aumenta a ansiedade. Iluminação indireta produz efeito relaxante.

A luz natural possui vantagens, porém, não deve ser excessiva, porque pode produzir muito brilho e calor no ambiente.

A iluminação deve, preferencialmente, entrar por janela lateral, de tal maneira que as pessoas não se sintam ofuscadas (isso seria ainda mais grave se um dos mediandos recebesse muita luz e sol, sentindo desconforto, enquanto o outro ficasse em situação mais cômoda; tal situação provocaria um desequilíbrio de natureza ambiental, muito desagradável). Controla-se o excesso de luz com persiana ou cortina, nas cores anteriormente sugeridas. Evidentemente, cortinas “leves” tornam o ambiente mais descontraído e são preferíveis às “pesadas”, que exercem efeito contrário.

Prefere-se a ventilação natural, contudo, o ambiente deve permanecer confortável (temperatura em torno de 22o C é a ideal para a maior parte das pessoas). As pessoas ansiosas agitam-se e tendem a sentir muito calor, portanto, a temperatura deve ser administrada.

Aparelhos de ar-condicionado devem ser aliados, não adversários; o ideal é utilizá-los apenas para controlar os excessos. O mais importante é manter o ambiente ventilado, porque a oxigenação faz com que as pessoas sintam-se fisiologicamente melhor.

“Correntes de vento” ocasionam mal estar em muitas pessoas e deve ser assegurado que nenhum dos mediandos fique exposto a elas, inclusive na sala de espera.

O mediador deve observar que pessoas simples – o público, por excelência – da mediação, pouco acostumadas a receber atenção e a manifestar-se quando em desconforto, poderão sentir-se inibidas em reclamar de calor, frio, vento, luz ou outro fator ambiental. Cabe pois, a ele, permanecer atento a esses detalhes.

Limitada à sala de espera, deve ser condizente com a filosofia de apaziguamento da mediação. Ritmos suaves em baixo volume são o ideal. Agitação e alto volume proporcionam efeito contrário.

Emissoras de rádio veiculadoras de propagandas e noticiários (que oscilam entre convites para adquirir sabão em pó  e o crime do momento) destroem qualquer tentativa de concentração e recolhimento.

A música ambiente é preferível a nenhum som e a  instrumental tem preferência. Se instrumental, ritmos suaves são preferíveis aos agitados em um nível suficiente para seu audível, porém, sem interferir na conversação e ou na concentração das pessoas. Músicas de época, naturalmente, são inadequadas e é preciso cuidado para que os gostos pessoais das pessoas que cuidam do ambiente não interfiram de forma inadequada na escolha.

Obviamente, aparelho de televisão é totalmente contra-indicado; a programação raramente promove a paz (inclusive os “desenhos animados”, em geral, altamente agressivos); além disso, há grande chance de a TV ter sido a fiel testemunha anônima de inúmeros conflitos, especialmente os familiares – sua presença servirá para reativar lembranças ruins.

Dar preferência, como material de leitura para a sala de espera, a folhetos e outros materiais de divulgação da própria mediação: como ela funciona, o que se espera dos mediandos etc.

As pessoas acabam lendo alguma coisa e, por meio desse tão  simples procedimento, transforma-se o local de espera em ponto informal de aprendizagem. Divulgação político-partidária e religiosa são totalmente  inconvenientes.

Um folheto que possa ser levado pelo futuro mediando, descrevendo o processo e os comportamentos indispensáveis e recomendáveis dos mediandos, durante as sessões, sempre é bem vindo. Nesse caso, a linguagem deve ser ajustada ao público-alvo predominante com o qual o escritório trabalha.


*Nota do autor: Leitura complementar para o item 4.1.1 – Infraestrutura, em Mediação e Solução de Conflitos – teoria e prática, de Fiorelli, Fiorelli & Malhadas.


Veja também:

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