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Concursos públicos: devo escolher a carreira pela sua remuneração?

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A escolha do caminho profissional a seguir após a conclusão da graduação é uma tarefa bastante angustiante.

O recém-formado, sem bem saber se ainda estudante ou não, vê-se diante de inúmeras possibilidades, todas parecendo-lhe muito difíceis, quase impossíveis.

Prestes a se lançar no mercado de trabalho, a pessoa vê-se sem o apoio reconfortante de professores, colegas e instituição de ensino, elementos que até então lhe davam certa segurança.

Muitos são os fatores que podem influenciar essa escolha, mas certamente um deles apresenta-se atualmente para muitas pessoas como preponderante: o salário.

É fato, cada vez mais as pessoas fazem suas escolhas profissionais pensando de modo preponderante na remuneração dessa ou daquela carreira, desse ou daquele profissional.

“Como seria bom se eu fosse Juiz e pudesse ganhar X…” “E se eu fosse Fiscal da Receita Federal? Ouvi dizer que eles ganham Y…” “Que maravilha, eu, advogado, ganhando Z…”

Essa postura, de pensar na escolha da carreira a partir da remuneração comum àqueles profissionais, certamente tem como principal causa o perfil da sociedade atual, que valoriza, acima de tudo, o consumo e a capacidade de consumir.

Nesse panorama, surge a necessidade de um alerta: a escolha da carreira, do caminho de um concurso público, significa mais do que a escolha de um bom salário.

Trata-se da escolha da principal atividade que uma pessoa realizará em sua vida, daquela função que ocupará a maior parte do tempo disponível na vida de um cidadão.

Explica-se: um jovem que ingresse aos 30 anos de idade na carreira do Ministério Público deve trabalhar aproximadamente até os 65 anos na instituição.

Basta considerar que essa pessoa dedicará 35 anos de sua vida ativa às funções daquela carreira para que perceba a importância dessa escolha.

Isso significa decidir sobre a que dedicar uma vida inteira, a quais propósitos, a quais finalidades, a quais pessoas.

Daí o risco de realizar essa escolha adotando como critério ou fundamento primordial a remuneração.

Ninguém nega a relevância de pensar na remuneração das atividades profissionais, porquanto disso decorrem as possibilidades de organização e desenvolvimento da própria vida familiar e pessoal.

Contudo, ter um bom salário e, para isso, realizar uma atividade que lhe seja penosa ou desagradável parece uma atitude nada inteligente. Trabalhar uma vida inteira numa função que não traz prazer ou satisfação é algo que certamente não fará bem a ninguém.

Perde a carreira escolhida, por ter em seus quadros alguém insatisfeito, que certamente não se entregará às suas funções de corpo e alma. Perde a pessoa que escolhe tal carreira, por dedicar sua vida a algo que não lhe dá a mínima realização.

Por essa razão, a decisão de se dedicar ao estudo para concursos públicos e a escolha de uma carreira devem ter em conta um aspecto bastante desvalorizado nos dias atuais: a vocação[1].

A remuneração, também importante, deve ser apenas um dos critérios considerados para uma escolha responsável da carreira a se seguir.

No nosso próximo texto, desenvolveremos a ideia da escolha da carreira pela vocação.


[1] “Vocação sf. 1. Ato de chamar. 2. Escolha, predestinação. 3. Tendência, pendor. 4. P.ext. Talento, aptidão” (FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Miniaurélio: o minidicionário da língua portuguesa. 6. ed. Curitiba: Posigraf, 2004. p. 822).

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