O “concursando”

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O concursando. Quem é essa pessoa?

Um esclarecimento inicial: a palavra concursando não está no dicionário. A palavra concurseiro também não está.

Ambas, porém, são usadas com certa frequência para designar as pessoas que se dedicam aos estudos preparatórios para os concursos públicos.

Eu costumo utilizar concursando.

E explico o porquê da escolha.

A palavra concurseiro deixa a impressão de se referir a um ofício, uma profissão, algo permanente, duradouro. É o mesmo sufixo utilizado em palavras como pedreiro, engenheiro, marinheiro.

Assim, fica a ideia de que alguns estudantes seriam eternamente concurseiros.

Contudo, para o bem do concursando e sucesso de seus projetos, espera-se que não seja assim. A preparação para os concursos deve ser apenas uma fase da vida profissional e, num certo momento, transformar-se em passado, com o ingresso na carreira buscada.

Por isso, prefiro a palavra concursando, que utiliza o mesmo sufixo de orientando, formando etc., representando uma etapa de passagem, que tende a ser ultrapassada.

Na concretização dos sonhos do estudante, sem dúvida, será preciso desenvolver a capacidade de evoluir gradativamente e assim, virar sucessivas páginas da própria vida.

Abandonar velhos hábitos e práticas para adquirir outros, melhores, mais saudáveis e produtivos. Numa última etapa, no momento oportuno, abandonar a própria vida de concursando, para realizar-se profissionalmente na carreira escolhida.

Por essas razões, utilizo a expressão concursando.

Mas volto à questão: quem é essa pessoa?

São tantas pessoas diferentes numa só função.

São homens e mulheres, uns mais jovens, outros de mais idade, uns paulistas, outros cariocas, alguns sulistas, talvez nortistas, muitos nordestinos, pessoas de todas as origens, raças, cores e crenças.

São seres humanos que acreditam na possibilidade de alcançar melhores posições profissionais e pessoais pelo seu próprio esforço, pelos seus estudos.

Numa época em que muitos apontam o servidor público como um grande mal na sociedade brasileira, ainda há quem acredite na seleção impessoal e republicana que se realiza num concurso público e na possibilidade de entregar sua força de trabalho e, em última análise, seu tempo de vida, ao serviço em prol do público.

No individualismo extremado que presenciamos todos os dias, acha-se um ponto de equilíbrio: dedicar-se com afinco aos estudos, melhorar a própria vida, com remuneração digna e segurança, e, em contrapartida, colocar sua inteligência e força de trabalho a serviço das causas coletivas.

Seguimos então acreditando: (i) na perspectiva de que o Estado tem um relevante papel a cumprir na estrutura social; (ii) no servidor público como peça essencial na construção de uma cultura de valorização dos bens coletivos; (iii) no concurso público como instrumento republicano de seleção dos quadros públicos; (iv) no projeto de vida de tantos concursandos, que se entregam aos estudos, na esperança de alcançar melhores posições profissionais e pessoais.

Aos estudos, concursandos!


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