Que Filosofia Dispomos? Por Que Ela é Insubstituível?

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I – MATERIALISMO HISTÓRICO DIALÉTICO

O homem se separou da natureza por necessidade. por necessidade associou-se, por necessidade criou a divisão do trabalho, e criou as trocas e a noção de valor mercantil. na modernidade a riqueza é o dinheiro, logo, precisa-se acumular dinheiro infinitamente, e isto se faz trocando mercadorias. mas quem faz as mercadorias não sabe exatamente para quem faz e porquê o faz, porque faz pedaços de coisas que ainda serão complementadas até chegarem à prateleira do supermercado ou ao shopping. por isso os homens vivem sem perceber que eles mesmos fazem as coisas que compram, portanto sem perceber que as mercadorias são relações de trabalho (um faz um pedaço, o outro faz outro pedaço, alguém vende para alguém etc).

No capitalismo essas condições de trabalho são estabelecidas pelo patrão – dono do empreendimento e de tudo que nele está – mediante um contrato de trabalho. o contrato exige pessoas “livres” e “iguais” juridicamente, mas perceba, que não podem ser iguais nem livres porque o salário tem que ser inferior ao valor produzido, porque caso contrário não sobraria dinheiro para os patrões, comerciantes e financistas acumularem. ou será que algum homem igual e livre se submeteria a isto? e não muda nada para os funcionários de escritórios, para a área de serviços, para funcionários públicos ( o patrão é o estado).

A questão mais importante é que sempre será o trabalho assalariado que será explorado, e quem não for o dono ou não for empregado, está excluído do sistema de produção de mercadorias. além disso, a riqueza produzida é desigualmente distribuída, e a Lei assim o permite, porque prevalece no sistema mercantilista a propriedade privada.
Mas o trabalho não é uma dádiva da natureza, de Deus ou uma oportunidade concedida pelos patrões e donos – o trabalho é uma necessidade humana enquanto o homem não produzir tanta riqueza material quanto a necessária para distribuir igualmente para todxs. Será que ainda não chegou esse dia? talvez ainda não totalmente, mas existe hoje, e cada vez mais, mais riqueza do que os poderosos e as elites do mundo afirmam – devido à alta tecnologia e ciência. em compensação, como o sistema produtivo e distributivo é anárquico, acabamos com a natureza porque só se pensa em ter coisas inúteis e acumular dinheiro.

No dia em que a humanidade se conscientizar que podemos viver melhor com menos coisas inúteis, e podemos distribuir muito mais e muito melhor (e uma coisa está ligada à outra, porque pode-se distribuir muito mais riqueza racionalmente e depredar menos a natureza se acabar a ambição e egoísmo da acumulação de dinheiro!), nesse dia o trabalho necessário já não será uma exigência tão grande em nossas vidas, e paulatinamente a humanidade voltará a se integrar com a natureza e então nosso espírito se completará com a cultura e o afeto.

Distribuir riqueza, oportunizar a educação, parar de explorar a força de trabalho humana, cultivar o espírito para as artes e para o afeto – isto é o Materialismo Histórico Dialético, isto é o Socialismo.
Como se vê, isto nunca aconteceu na história da humanidade, mas está cada dia mais perto de acontecer. por isso tanta reação destemperada, tanto ódio, tanta ignorância, tanto terror, tanto fanatismo – tudo não passa da reação desesperadora dos donos do capital, que usam o fascismo para aterrorizar as pessoas.

Não há por quê se deixar amedrontar, temos uma filosofia insuperável. de uma forma ou de outra, seremos o futuro da humanidade!


Bibliografia Indicada:
1. Marta Harnecker. Os conceitos Elementares do Materialismo Histórico. Global Editora, Coleção Bases, nº 36.
2. Friedrich Engels. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico. Global editora, Coleção Bases, nº 13.
3. Hannah Arendt. A Condição Humana. Forense Universitária

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2 respostas para “Que Filosofia Dispomos? Por Que Ela é Insubstituível?”

  1. PEDRO FERNANDES DE OLIVEIRA disse:

    Bom dia!

    Sempre fico no meio termo, talvez, entre direita e esquerda.
    Resumindo: Nós temos algumas características que, se as tirássemos, deixaríamos de sermos “ser humano”.
    Você mesmo mesmo disse duas das qualidades (dependendo do viés), quais sejam, ambição e egoísmo e, eu acrescentaria ainda a questão da liberdade e igualdade.
    Essas quatro características nos fazem diferentes em qualquer situação. Logo, como poderíamos ser iguais se somos essencialmente diferentes?
    Se não temos nenhuma ambição, como poderíamos produzir, se não temos nenhuma razão para tal, já que deveremos ser iguais?
    Me parece que, somente essas quatro “qualidades” as quais achei no seu texto, me faz diferente. E se sou diferente, como eu poderia ser igual?
    Por isso, retorno a primeira linha da minha narrativa. Não consigo me dissociar da esquerda, mas, também não consigo fazê-lo da direita.
    Não vejo tanto malfazer no capitalismo, assim como não o vejo no socialismo.
    Concluo que essa situação de que devemos ser iguais é uma balela. Nem juridicamente o conseguimos.
    Penso que, a luta é para uma conscientização no sentido de que diminuamos nossas diferenças e possamos estender de forma mais equânime as riquezas, mas, o socialismo não produz riquezas. Nada que divide, pode acrescentar! Essa regra é imutável. Podemos até fazê-la juridicamente, ou enganar os outros de que isso é possível, mas, já estaríamos novamente nos utilizando do “outro”, ou, usando o outro com mentiras, promessas que talvez durem um tempo, mas impossível de durar todo o tempo.

  2. Olá meu amigo!
    Lamento não ter respondido antes.
    Entendo o que diz, mas pondero a seguir:
    Recortei apenas esta frase sua: “mas, o socialismo não produz riquezas. Nada que divide, pode acrescentar! “.
    O socialismo e o capitalismo não produzem riquezas – quem as produz é o trabalho humano, os fazedores, os trabalhadores. A questão é “em que condições e para quem”?
    Acho que para entender melhor temos que entender e definir o que é capitalismo e socialismo… quem “divide” é o capitalismo (porque necessita da desigualdade para existir) não o socialismo. O capital que domina o sistema que vivemos em todos os seus aspectos, subjetivos e objetivos, do Ser ao Coletivo, divide tudo porque precisa disso, desde o contrato de trabalho (p.ex.) – sabe aquela coisa do individualismo, do sujeito de direito, do cidadão etc… então, quem divide é o capital, e isso as pessoas não observam, porque está oculto nas mercadorias, dinheiro, propriedade, escondido ela ideologia do estado, disfarçado pela forma jurídica, etc.
    Pelo que entendi vc. usa o termo “dividir” no sentido de “distribuir”?!, sim, neste caso isso é socialismo. Então por quê “distribuir” (justiça distributiva de Aristóteles) não “pode acrescentar”? Pergunte-se para os esfomeados do mundo…
    Se for no sistema capitalista, você está certo, aí sim existe “dividir” no sentido de separar, p. ex., a concepção do fazer, o homem do resultado de seu trabalho, o fazer do poder sobre esse fazer (quem ordena e domina)… quem “divide é o capitalismo.No socialismo essas divisões tendem a acabar (claro não de um dia para o outro, por isso existe o comunismo).
    Por último, o amigo vê as qualidades humanas como superiores ao trabalho concreto dos homens, como se trabalhadores pudessem escolher livremente, ou os mais pobres de forma geral – os homens podem escolher suas qualidades tão livremente como parece? Eu acho que não!, porque senão eu seria um hegeliano, um idealista e não um materialista histórico.
    Mas se pode escolher, então por quê escolhemos guardar dinheiro aos montes nas contas bancárias em vez de distribuir riqueza pelos necessitados? Será que é porque “dividir, não acrescenta”?!
    Penso: em um mundo de necessidades coletivas tão desumanas que nome devo dar para essa acumulação de capital?, se não “egoísmo”? – elas não são apenas “riquezas” – elas são produto de uma história do trabalho/ fazer e do conhecimento passado geração após geração, coletivamente.
    Ali no final tem uma bibliografia; se me permite, sugiro, no contexto de suas indagações: “Como mudar o mundo sem tomar o poder – John Hollway).
    Muito obrigado pela oportunidade de podermos dialogar e refletir. Isto é a essência da liberdade.
    Ao dispor. Abraço.

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