Direito e Cinema # 7 – O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

Direito e Cinema # 7 – O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

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Direito e Cinema # 7 – O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio

Esta coluna Direito e Cinema analisa o filme Exterminador do Futuro – Destino Sombrio (Terminator – Dark Fate), de 2019, dirigido por Tim Miller (de Deadpool), que reúne Linda Hamilton, James Cameron e…, claro, Arnold Schwarzenegger – novamente no papel de T-800, dando sequência à franquia Exterminador do Futuro.

Completando o time aparecem as novas personagens Grace (Mackenzie Davis), uma humana híbrida com robô, e Dani Gomes (Natalia Reyes), a pessoa a ser protegida para que se assegure o futuro da humanidade. Dani Gomes é uma jovem humilde, que trabalha em uma indústria automotiva na Cidade do México, junto com seu irmão, Diego.

Embora o filme tenha como leve pano de fundo os temas das migrações e da igualdade de gênero, escolhemos falar das questões laborais que ele pode ilustrar, sobretudo a partir do impacto tecnológico que se experimente no âmbito do mundo do trabalho.

A começar do fato de que a ocupação profissional de Dani se dá em uma indústria automotiva localizada no México, o que ilustra bem a globalização econômica, proporcionada dentre outros fatores pelo avanço tecnológico das últimas décadas e, certamente, produz enormes reflexos nas relações de trabalho e no Direito do Trabalho.

Logo no começo do enredo vê-se que Diego, irmão da protagonista, chega para trabalhar e seu posto de trabalho está, literalmente, “ocupado” por uma máquina. Dani se revolta com esta cena e vai conversar com o supervisor, argumentando pela necessidade de preservação dos empregos das pessoas em face da robotização (lembrando aqui a disposição constitucional contida no art. 7º, inciso XXVII: “proteção em face da automação, na forma da lei”).

Neste momento, é atacada por um novo Exterminador (Rev-7, interpretado por Gabriel Luna) que veio do futuro, e a partir daí a perseguição se desenrola por todo o filme. Descobre-se então que Dani será, no futuro, a líder da resistência humana contra as máquinas, que dominarão o planeta.

Quando exercer sua liderança, no futuro, Dani proporá a união dos humanos, a fim de que possam sobreviver às agressões das máquinas.

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Certamente a melhor solução para lidar com o avanço tecnológico e seu incrível impacto nas relações laborais não será retornar a uma perspectiva ludista, isto é, a ideia de Ned Ludham, líder operário inglês do século XVII, de destruir as máquinas a fim de assegurar o espaço do trabalho humano.

Devemos buscar um modo mais inteligente de como lidar com a questão tecnológica, conciliando as incríveis possibilidades que a tecnologia proporciona com a, necessária, garantia dos direitos dos trabalhadores (a começar do próprio direito de acesso ao trabalho). Voltando ao filme, lembremos que Grace, que volta do futuro para proteger Dani, é uma humana “aprimorada”, pois conta com diversos componentes robóticos em seu corpo.

Assim como no filme, a solução para esse quadro que decorre do advento tecnológico passa por uma “união entre os humanos”, que, com as devidas proporções, podemos traduzir para o Direito do Trabalho como a (re)construção de laços de solidariedade, especialmente entre os trabalhadores, quiçá (re)formulando novos atores coletivos.

 

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