A Ética da Personalidade de Sören Kierkegaard

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Thomas Pynchon: – Conheço máquinas mais complexas que pessoas. se isso é apostasia, hekk ikun. Para ter humanismo, temos primeiro de ser convencidos de nossa humanidade. À medida que nos aproximamos mais da decadência, isso se torna mais difícil. Cada vez mais alienado de si mesmo, Fausto II começou a detectar sinais de adorável inanimação no mundo em seu redor. (V.).

A Ética da Personalidade de Sören Kierkegaard (1813-1855) é uma opção ética pelo justo, em torno do bem comum. A responsabilidade social que deriva da Paideia, a Ética da Responsabilidade aristotélica está impregnada em sua filosofia. No entanto, a grande diferença, de Aristóteles, para Kierkegaard, é que a opção pela ética deriva de um “diálogo introspectivo”, mas aqui existe uma racionalidade que não se restringe apenas à materialidade, já que no filósofo dinamarquês irá se transformar na exigência da noção divina de Deus – e do pecado. No filósofo grego da Antiguidade, essa opção ética é uma construção do processo educacional criativo e crítico em conformidade com as necessidades de convívio e sobrevivência da coletividade.

Assim, enquanto Kierkegaard se vê pronto, em seu racionalismo, para aceitar o idealismo metafísico de Deus, como forma de equacionar a origem e justificação do correto, do decente, do justo, do bem, Aristóteles pensa a lei dos homens como artifício de determinação desses valores desejáveis, enfim, uma concepção que o leva à política como essência da condição humana, a partir da qual, num misto de democracia e sabedoria, poderiam os homens discernir o mais desejável para a boa conduta e convívio coletivos.

A perspicácia do pensamento aristotélico se encontra com a linguagem: Aristóteles usa a palavra poesis para se referir à política. Essa expressão também é usada, por vezes, no sentido de “educação para os relacionamentos”.

Contudo, no sentido mais profundo de Kierkegaard, sua metafísica se corporifica, o divino toma corpo, quando afirma que a opção é pessoal, absolutamente subjetiva, um momento de humanização que o filósofo dinamarquês vai chamar de “salto”, e que compõe a base de sua filosofia. Sem essa condição pessoal da escolha absoluta e irreversível pela ética, as leis correm o perigo de se submeterem a uma “não ética”, e , em consequência, a impossibilidade de uma pedagogia social que efetivamente crie o hábito da conduta ética voltada para os relacionamentos.

Com isto Kierkegaard não está minimizando e desvalorizando nem o papel da lei nem da educação, como por vezes se afirma. Portanto, a escolha pessoal intransferível e irrecusável pela ética, entendida como o bem comum, a vida boa para todos, se dá, sim, também como uma certa experiência localizada no mundo e na cultura. Mas, por outro lado, também não é essa “mundialidade” que fará o indivíduo se transformar em um bom cidadão, mas requer uma experiência pessoal de escolha absoluta e que não se poderá mais voltar atrás, com pena de se extinguir o próprio Ser.

Se é verdade que para Kierkegaard essa experiência requer uma aproximação com Deus, por outro lado, a opção pelo bem e pela relação amorosa com o outro, pode ser reconhecida como a “corporificação” do amor divino naquele que assim escolhe. Dado este fenômeno do “corpo” do bem e da conduta ética, a escolha é humana, portanto, política.

Nem toda a filosofia que se originou a partir de Kierkegaard é religiosa. Para a Ética da Personalidade, o grande pressuposto para o caminho que cada um escolhe para o “salto ético”, é a Liberdade. Sem ela ninguém pode escolher, nem (a) Deus. E assim, afinal, o divino é humano, irreversivelmente humano, como o Existencialismo (religioso ou ateu) o apregoa.

FONTE: NEJ – NÚCLEO DE ÉTICA

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