Holding familiar e suas vantagens: conheça a obra de Gladson Mamede e Eduarda Mamede

0
Comentários
0
likes
0
Coment.
0
likes

Uma holding familiar pode ser uma estratégia adequada para organizar o patrimônio de uma família ou até mesmo otimizar a estruturação corporativa de uma empresa ou de um grupo de empresas. Os benefícios da constituição de uma holding familiar podem ser sentidos na sucessão do comando da empresa, ao permitir uma transmissão de maneira tranquila e segura, na prevenção de conflitos familiaresna preservação do poder econômico da família e ainda pode servir de planejamento tributário.

Essas são as questões desenvolvidas no livro de Eduarda Cotta Mamede e Gladston Mamede, que integra a série Soluções Juríricas e é um manual para advogados, contadores, economistas, consultores e administradores empresariais não só para compreensão do tema, mas também para concretizar os procedimentos necessários e avaliar a vantagem, ou não, da implementação dessa estratégia em cada caso, assim como as cautelas a serem tomadas e os métodos a serem realizados (Clique para saber mais sobre a obra).

Holding familiar e suas vantagens: nota dos autores

O tempo enterra, sem qualquer comiseração, histórias lindas, casos impressionantes. Esquece,  passa por cima, supera. Sobrevivem um pouco, enquanto a língua ainda corre à rédea solta, mas depois se embrenham no silêncio, como se deixassem de existir. Por isso, é sempre bom contar bons causos, sabemos nós, os mineiros. Nas cozinhas perfumadas de café e pão de queijo, a gente repete à larga as narrativas que se ouviram dos pais, avós, tios, amigos. E, assim, vamos dando sobrevida ao passado, se bem que, deveras, quem conta um conto aumenta um ponto.

A história de Pantaleão e Honorina é verdadeira, vou de logo avisando. Não é invencionice, não. Nem os nomes são inventados; são esses mesmos, razão pela qual quem bisbilhotar um pouco logo encontrará ecos dessas linhas na boca do povo. Afinal, os parentes deles ainda estão lá, em Ponte Nova, onde os fatos se passaram há várias décadas. O caso se deu nas beiras iniciais dos novecentos, enredado pelos meados do século, mas há netos que ainda estão vivos, embora velhos. Seus bisnetos estão adultos e criam filhos, entre novos e adolescentes.

Ponte Nova é uma cidade construída às margens do Rio Piranga, na Zona do Carmo, ou seja, na região de Mariana. Está próxima de Ouro Preto, outrora Vila Rica, primeira capital da Província das Minas Gerais. Cidade bonita onde correm os dias numa brejeirice gostosa e honrada, merecendo o progresso, embora guardando um jeitinho só seu. Foi ali que viveram Pantaleão e Honorina. Casaram-se e fizeram família, tocando a vida no reiterar das manhãs, entregues ao ofício dos dias. De filhos tiveram uma reca, criada com atenção e carinho. Juntos construíram uma família e mesmo um casarão no alto do morro, com varanda e tudo. E foram assim, velhice adentro, cumprindo o destino.

Mas Honorina morreu.

Pantaleão chorou seu caixão, velando o corpo amado. Os olhos queimaram na ausência da esperança, roubada agressivamente pela morte. Secou-se em lágrimas por renovadas vezes e, cambaleante, viu entregarem-na a terra. No entanto, manteve-se em pé, homem cumprindo seu dever de homem.

Estavam, enfim, apartados, Pantaleão e Honorina. Ele a chorou ali, no cemitério, como a chorou no purgatório interminável das noites, condenado ao quarto que nem os cobertores esquentavam e as paredes não davam fim. Foi assim que aprendeu que a cama vazia dos viúvos é a pior das câmaras de torturas. A vida, nessas madrugadas, é pior que a morte. É impiedosa; é cruel.

Findo o martírio de cada noite, aos dias entregava-se sentado na varanda da casa sem vida. Nunca antes se dera conta dessa vantagem: dali se via fácil o cemitério. Por um tal horizonte, pagaria qualquer preço. Mas, por sorte, a casa já era sua e, por isso, passava as horas namorando, a distância, o túmulo de Honorina, tomando conta do seu leito até que a noite lhe obrigasse novamente ao tombo na cisterna da cama, entregue às dores da ausência. Velou-a, assim, por cerca de um mês, suportando o contraste das lembranças, felizes em seu conteúdo, terríveis por serem apenas retalhos apodrecidos de um tempo passado. Até isso a morte tinha matado.

Ao cabo de mês, morreu ele próprio, para renovada tristeza dos filhos, que choraram o seu caixão, velaram o seu corpo e, enfim, entregaram-no à terra. Apartaram-se dos pais e foram tocar suas vidas até que também morreram, como já morreram mesmo alguns de seus próprios filhos. É a regra da vida. Contudo, desde aquele dia, em que também baixou à terra, Pantaleão libertou-se das noites geladas e solitárias em que era torturado. Pantaleão está junto de Honorina, pelos séculos e séculos e séculos… Deus nos proteja, os enamorados.

A felicidade tornou-se um mito. Todos a querem, mas quase ninguém está certo de possuí-la. Ela nunca é completa, nunca é total; estranho, não? Onde estaria, então, a felicidade? Na qualidade de mito, a felicidade mora junto de outros mitos de nosso tempo: a paixão avassaladora, o príncipe encantado ou o homem divino, a mulher linda e gostosa, a fama e a fortuna, o carro magnífico, o luxo etc. etc. São mitos que nos atam a um futuro idílico, de difícil concretização e, assim, sempre parece faltar alguma coisa. Nunca nos sentimos verdadeira e perenemente felizes, enquanto seguimos a rotina de trabalhar e consumir. Trabalhamos para consumir, na ilusão de que produtos e serviços nos vão fazer felizes, sendo melhor quanto mais consumirmos. Assim, vendem-nos falsas esperanças e mesmo imagens: quem somos, quem seríamos, contrastando-nos com modelos que são, eles próprios, uma construção artificial e irreal, envoltos em seus próprios dilemas pessoais.

Contudo, a felicidade não está ligada a qualquer produto ou situação; não está na viagem ao exterior, no emprego que eu não tenho, no prêmio de loteria que não ganhei (ainda!). Ao contrário do que nos insiste em dizer a publicidade, a felicidade não está condicionada a isto ou aquilo, não decorre de uma compra. É apenas um estado d’alma e somos nós que podemos condicioná-la. É singela e verdadeira, bem distante da imagem eufórica reiterada pelos anúncios: gargalhadas constantes, emoções fortes constantes, paixão constante (você será feliz com esta ou aquela bebida, numa viagem para tal ou qual lugar, usando esta ou aquela roupa etc.). Uma ilusão de felicidade cega-nos os olhos e nos empurra para o consumo de produtos e serviços, como se ali estivesse o que procuramos. Não está.

Assim, cada vez mais, padecemos de um certo vazio, com maior ou menor frequência. Chamem-no de tristeza, melancolia ou depressão, por vezes nos vemos sustidos por um fio sobre um abismo escuro, inseguros, insatisfeitos, sem perspectivas. Não se trata de um privilégio nefasto do princípio do novo milênio, o terceiro, já que a angústia está presente em vários outros momentos da história, a exemplo do barroco, romantismo, simbolismo, existencialismo etc.

Talvez seja o próprio conceito de felicidade que precise ser remodelado e repensado. Talvez, se ele fosse menos mítico, menos hollywoodiano (esses embustes que são seguidos pelo The End), pudesse ser mais fácil de ser vivido. Será que não estamos apegados demais a essas referências míticas para sermos felizes? Felicidade não se confunde com fuga: o ser humano feliz não se teme ou se odeia: aceita-se como é, ainda que queira – e se esforce – por melhorar; respeita-se e procura conhecer-se (e não se iludir). Por outro lado, felicidade não é sinônimo de irresponsabilidade: não é um estado de abandono das coisas cotidianas, mas uma harmonização (segundo o Aurélio, harmonia é a “disposição bem ordenada entre as partes de um todo”) dos elementos que compõem a vida: trabalho, convivência com os outros, os tantos atos cotidianos (como alimentar-se, por exemplo), paisagens, circunstâncias, o tempo: em tudo há inúmeros detalhes que merecem atenção, pois podem revelar pequenos prazeres (que sempre serão os melhores, porque são mais verdadeiros que os mais exaltados).

Estamos perdendo os instantes, atropelando os dias e, de tempo em tempo, percebemos que a vida está indo “rápido demais” (estamos tão preocupados em não perder tempo, que acabamos perdendo o tempo). O antídoto pode ser não só a simplicidade, como a valorização de uma postura nova: a atenção nos detalhes (como nos sentidos: aromas, sabores, texturas, cores, sons), a gratidão, a cordialidade, o sorriso, a paciência, o carinho. Perceber um outro mundo que existe paralelo a este caótico em que vivemos. A vida é, acima de tudo, simples. As complicações são um fenômeno cultural humano. Então, seria bom compreendermos a simplicidade da vida. Note, por exemplo, que uma parte considerável (senão a maior) dos problemas é construída, mentalmente, por nós mesmos.

Quem irá, em si, arar e fertilizar a terra da felicidade? Quem irá se dispor a um esforço tão inglório,  tão pouco comum, tão pouco provável (ilógico, quase!) de fazer-se harmonioso? Queremos  encontrar, dentro dos nossos olhos, a paz. Sabemos que ela está lá. Por vezes a vemos: vemo-la em  nós. Sabemos que é difícil, mas queremos tentar. Erramos muito, mas queremos continuar  tentando. Quem sabe não vamos conseguir?

Há uma promessa antiga: você pode tentar milhares de vezes: a porta sempre estará aberta, dizem os sufis.

Com Deus,

Com carinho.

Gladston e Eduarda Mamede

Leia uma amostra de páginas

Gladston Mamede e Eduarda Cotta Mamede | Série Soluções Jurídicas

Conheça os livros do autor!


LEIA TAMBÉM

Leia outros artigos de Gladston Mamede (Clique aqui!)

CATÁLOGO JURÍDICO UNIVERSITÁRIO (DOWNLOAD)

LEIA TAMBÉM
COMENTE

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.